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Escreva-me... como se eu fosse um livro.
...................................... Ja estamos quase em 2008! E voce continua aqui, do mesmo jeito, andando pelas mesmas ruas, girando as mesmas chaves para abrir as mesmas portas? Sentado nas mesmas cadeiras, ao lado das mesmas mesas, fazendo sempre as mesmas coisas? Com os mesmos amigos, os mesmos amores, a mesma visao do mundo? Com os mesmos medos e preconceitos? Repetindo a mesma angustiante rotina? Onde foi parar aquele "projeto" de Vida? Onde esta a coragem de mudar, a coragem de criar? Onde aquele entusiasmo e aquela ousadia de outrora? Onde estao aqueles sonhos todos? ............
Edson Marques

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20070924
Teste old blogger comments..
by Edson Marques
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5:35 PM
20070311
Abraço sempre a liberdade das minhas concepções estéticas - e escrevo. Na verdade, eu rabisco palavras de amor em defesa da Vida. Não para que você concorde comigo, mas para transmitir emoções desgovernadas. Escrevo para te provocar... Para que você pense um pouco sobre a vida que hoje leva. Para que você veja o mundo de outra forma. Escrevo principalmente para excitar teu intelecto e abrir teu coração ainda mais.
Por isso eu vibro tanto a cada vez que meu verbo entra no teu peito e dança.
by Edson Marques
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2:58 PM
20060316
 . O que é que você quer da Vida?
by Edson Marques
: /// :
8:38 PM
20051125
Sem fome, sem sono, sem culpa, sem medo e sem dor.
Sem ciúmes, sem pressa, sem ódio, sem apego e sem pressões. Sem expectativas, sem promessas, sem cobranças, sem vergonha, e sensível. Sem medo. Sem controle. Sem juízo. Sentindo-me amado com delícia e liberdade, e amando com grandeza e ousadia. Sentindo-me íntimo da transitoriedade. Buscando o equilíbrio no instável, no insólito, no inesperado, no inexistente... Sentindo-me passageiro numa viagem louca e sem destino. Percorrendo caminhos ainda não trilhados. Ficando cada vez mais e mais perplexo, fascinado e encantado com os novos horizontes. Amando as surpresas todas no momento mesmo em que acontecem.
Quebrando barreiras, de modo irreversível.
Ultrapassando limites.
Buscando (e encontrando!) a essência de cada coisa nela mesma. Compreendendo as razões também daqueles que não conseguem me compreender. Podendo até ser julgado por minhas atitudes desprendidas e por meu comportamento fora de padrão... Podendo (é claro) ser julgado, mas condenado, jamais!
Vivendo o mais profundo, o mais criativo, o mais sensual, o mais inocente e o mais sagrado período da minha vida. Sugando a delícia doce da substância pura de todas as coisas livres. Vivendo as maiores e as mais altíssimas paixões da minha vida, e vibrando com tudo que me toca. Sentindo-me a cada momento como se Deus me estivesse cobrindo com as flores das flores das flores.
Inundado de carinho e gratidão.
Dançando nas minhas próprias emoções.
Com a cabeça nas nuvens, e o coração no infinito.
Portanto, o que mais posso eu querer da vida, além de amores breves e brilhantes, crepúsculos cor de abóbora na Praia de Pernambuco, óleo de amêndoas doces, rosas brancas e vermelhas, taças de vinho transbordantes, muita liberdade, muita alegria, saúde, poesia, tesão, gostosura... e tempo livre para viver tudo isso?
O que mais posso eu querer da vida?
by Edson Marques
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3:00 AM
20050814
Infinito jantar
(Faça o mínimo, que a Providência se incumbe do resto.)
Saia e respire o ar mais puro que puder. Sinta o perfume da vida. Veja as árvores, o movimento. Observe o céu, penetre no azul. Veja um pássaro em pleno vôo, e voe com ele para onde quer que seja. Olhe nos olhos das pessoas que encontrar — no mesmo sentido. Os homens mais bonitos. As mulheres mais bonitas. As vitrines. Não: não aceite convite para um café. Nem para nada — nada! Nem pense em convidar alguém. Passe pelas pessoas como abelha passando por margaridas em flor. Ultrapasse-as. Siga em frente. Veja a criança que passou. Troque sorrisos. Ande como se estivesse passeando.
Compre então a flor mais bonita, e uma garrafa de vinho do melhor. Volte calmamente para casa e deixe o mundo no portão. Tire a roupa toda e ande nua por uns tempos, como desfilasse no Olimpo. Se o vinho for branco, ou rosé, ponha-o a resfriar, na temperatura que você prefere.
Deixe uma comidinha preparada, daquela que você mais gosta, simples. Pode ser omelete de rum, com um tiquinho de caviar ao lado, ou peixe de água doce cozido em vinho branco e suco de laranja. Pode ser fatias de presunto com melão, ou arroz soltinho com caldo de feijão; ou salada de tomate com manga e agrião; ou dois ovos fritos na manteiga de cabra e cobertos com folhas de manjericão — qualquer coisa... A comida não importa qual, desde que seja boa e feita de amor.
Comida, como sempre, é apenas pretexto.
O importante é você.
Troque os lençóis, coloque aqueles mais bonitos e macios, deixe a cama arrumadinha, esperando. Borrife um pouco de perfume no seu quarto, olhe-se no espelho, de frente, de lado, de costas, de dentro — e respire fundo. Acenda na sala um incenso — com fósforo, porque tem cheiro de pólvora — talvez um Poem, indiano, e espete a varetinha numa laranja madura. Ponha aquela música de que você mais gosta. Uma vela comprida e azul no castiçal de bronze. Desligue o telefone e todas as campainhas que houver no teu mundo.
Livre-se de tudo o que for supérfluo.
Tome então um banho demorado, com teu sabonete preferido. Cante alto no banheiro. Quando terminar, passe as mãos pelo corpo, como se fosse para tirar-lhe as gotas de água que houver, espécie pura de massagem carinhosa. Enxugue-se com a melhor toalha. Maquiagem leve, baton discreto, o melhor perfume, aquele que lhe traga as mais deliciosas lembranças. A calcinha de algodão. Vista uma roupa linda, fresca, leve, macia. Prepare-se como se fosse a uma festa no teu corpo, uma festa onde a tua alma vai hoje ser rainha.
Descalça, como deusa sorridente ao sair de um labirinto.
Respire mais fundo.
O vinho, que já fora escolhido com amor, deve agora ser aberto com mais amor ainda. Se possível, uma taça de cristal tcheco. Se não tiver, serve uma dessas francesas, grande. Ou um simples copo, transparente, bem lavado. Sirva delicadamente. Sente-se. Levante o copo contra a luz. Sinta a temperatura do vinho, sua cor, o seu cheiro. Esmague o vinho com a língua no céu da tua boca, como se esmagasse um cacho de uvas maduras num vinhedo do sul em dia de sol de primavera. E sinta o sabor.
Nenhuma expectativa. Ninguém vai chegar. Você já cuidou para que ninguém chegue nos próximos dois mil anos.
A festa é para uma só pessoa.
Você tem agora todo o tempo do mundo.
Porque, se você não tiver todo o tempo do mundo, não adianta.
(Se você tiver pressa vá fazer outra coisa!)
Então arrume a mesa como se fosse a própria Babette. Um prato, um talher, um guardanapo de linho. A flor que você trouxe, num vasinho de cristal – ou numa garrafa vazia de qualquer coisa, tanto faz. Mas é indispensável a flor ao lado da vela. Todas as outras luzes apagadas. Acenda outro incenso. Baixe o volume da música. Nenhuma chance de que possa haver interrupção dessa liturgia de amor.
Nenhuma possibilidade de haver intervenção do horror.
Toda a atmosfera envolve então o teu corpo — e o consagra.
À alma, ao vinho, ao silêncio — à vida!
Você está com a consciência à flor da pele: seria capaz até de ouvir uma mosca tossir. O ar fresco que penetra pela janela e levanta um pouco a cortina. Um cachorro late lá na rua, na esquina. Você se lembra de certas coisas que estão longe, e de outras que estão perto. Pega o talher como pegasse um violino, começa a comer, sem pressa alguma. Sem barulho. Mastiga demoradamente, sente o gostinho real daquilo que logo fará parte do teu corpo, do teu sangue. E bebe o vivo, também sem pressa, como estivesse deitada num altar católico, olhando você mesma no teto da Sistina. E sorri.
Por dentro, um festival de gostosuras.
A vela está balançando as sombras vivas das coisas livres.
Você fica à mesa o tempo que quiser. Quando se der por satisfeita, leva para o quarto o castiçal, a flor, o silêncio, a vida. E a garrafa com o vinho que sobrar. Deita-se do modo mais confortável. Nenhuma expectativa, só o coração pulsando de alegria. Tira a roupa devagar, passa óleo de amêndoas no teu corpo, respira fundo duas ou três vezes. As mãos, bailarinas que deslizam pelos seios, dançam o que há de melhor.
Acariciam.
Então você enfia a mão direita por dentro da calcinha, sente o monte de Vênus, a floresta de pêlos macios, desbrava essa incógnita que atende pelo nome de menina. Passa os dedos leves nos seus lábios úmidos de amor, espalha delícias por todos os pontos. (O dedo médio pode ser o máximo!). Olhos fechados, você vai coleando, movendo-se numa coreografia de cobra em êxtase. Caminha até o topo da pequena montanha.
E vai se tocando como se música.
Devagarzinho...
Você vai se amar como nunca — como sempre.
Tua mão esquerda desliza pelos seios, umbigo, garganta, clavícula, boca. E a música crescendo, de tal forma que se pode ouvir teu sangue correndo por sob a pele. Há um rio dentro agora de você — fluente. E que logo vai transbordar.
De alegria. De prazer. De tesão.
Você viverá o maior orgasmo da tua vida.
Em seguida, você abre os olhos e as outras portas do paraíso também, uma a uma. Depois, com o restinho de luz que a vela estiver dando, pega um livro de poesia para ler. Pode ser Rilke, Paritosh, Adélia, Cecília, Pessoa, Leminski — qualquer.
Talvez Neruda, como este: “Aqui llevo la luz compañera / y la extiendo hacia el mar / y abrirá su cuerpo en la noche / y yo duermo cubierto de estrellas / y canto / y llegará la mañana / con su rosa redonda en la boca / yo canto / yo canto / yo canto / yo canto.”
Com certeza, você viverá hoje o mais belo sonho possível nos braços abertos do Amor, antes de seguir — livremente — em direção ao infinito de todas as coisas.
Edson Marques. Primavera de 2001.
Veja a sobremesa poética em Clicktoris.
by Edson Marques
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7:13 AM
20050711
Entrevista concedida ao jornal A Tribuna - Santos - Edição de Quarta-Feira, 6 de Julho de 2005, 08:59 - página B5.
Flip, o palco para Edson Marques defender a autoria de ‘Mude’
Da Reportagem
O escritor Salman Rushdie e o lançamento mundial de seu novo livro Shalimar, O Equilibrista podem dividir as atenções na Festa Literária Internacional de Parati, com Edson Marques (foto), um autor que nem de longe tem a visibilidade e o sucesso do escritor anglo-indiano.
Tudo por conta de sua luta para ter reconhecido como seu o poema Mude, utilizado em 2001 na campanha publicitária dos 25 anos da Fiat no Brasil e creditado a Clarice Lispector, a grande homenageada da Flip. Edson pretende aproveitar a oportunidade de levar a sua luta ao conhecimento da mídia.
Antes, porém, ele já acionou juridicamente a Leo Burnett Publicidade, que criou a campanha para a Fiat, pelo equívoco no crédito do poema. ‘‘Resolvi mover o processo levando em conta primeiramente a má-fé da agência, que não resolveu o assunto quando a procurei. Não quero dinheiro, mas sim o reconhecimento de que o poema, largamente veiculado pela Internet, é meu. Eu inclusive o registrei na Fundação Biblioteca Nacional sob o número 294.507, livro: 534’’.
Edson diz que, mesmo tendo se comunicado com a agência para corrigir a falha, não obteve resposta. ‘‘O criador da Leo Burnett, Alexandre Scaff, disse que tinha mergulhado na obra de Clarice Lispector para encontrar esse texto, com o qual ilustrou o comercial’’. Tentativas
O escritor, que mora há sete anos em Guarujá, continuou tentando, até conseguir falar com o advogado da Leo Burnett, Durval Pace. ‘‘Na primeira vez, ele disse que o poema era de Clarice e tinha como provar. Continuei mantendo contatos por telefone e e-mail, até que o advogado disse que iria ao Rio de Janeiro para trazer provas de que a obra era de Clarice. Só que não trouxe, porque não há provas, eu fiz o poema’’. Com 52 anos, Edson Marques diz que escreveu Mude antes dos 30 anos. Clarice morreu em 77. ‘‘O que mais me choca é que, na contestação à ação que movi contra a agência, pedi uma cópia da representação do contrato, mas não fui atendido. A empresa quer que eu trate disso com os herdeiros, particularmente com o filho de Clarice, Paulo Gurgel Valente’’.
Essa tem sido outra frustração de Edson. ‘‘Paulo não conversa comigo, não atende a meus telefonemas e não responde aos e-mails. Eu não quero mais falar com eles. Minha intenção é que a agência reconheça que o texto é meu’’.
A história teve outros desdobramentos. ‘‘Durval Pace me disse certa vez que, se o texto fosse assinado por Clarice, valeria R$ 150 mil (de direitos autorais), mas, assinado por Edson Marques, apenas R$ 10 mil. Era uma tentativa para ver se eu aceitava essa quantia. Mas minha luta não é uma questão de dinheiro’’.
Há pouco tempo, Edson ofereceu publicamente US$ 10 mil, no jornal Propaganda e Marketing e no programa Provocações, de Antônio Abujamra, na TV Cultura, a qualquer pessoa que apresentasse a obra de Clarice onde aparece esse poema’’.
A pendência continua e Edson aprofunda suas críticas e queixas. ‘‘Usando de má-fé impressionante, agora a Leo Burnett, através de seu advogado, fez uma contestação à minha ação cautelar, citando a obra A Descoberta do Mundo e dando a impressão de que o poema está nessa obra. Mas não está, como ficou provado com a publicação do livro’’.
Direitos autorais
Mude foi gravado no CD Filtro Solar, lançado pela Sony Music e produzido por Pedro Bial, com crédito para Edson Marques. ‘‘Recebo direitos autorais da Sony até agora por esse poema’’. Antônio Abujamra também já o declamou no programa da Cultura, e em sua peça Mephistópheles, atribuindo-o a Edson.
‘‘Não estou passeando na literatura. Sou fundador da Ordem dos Escritores, em 1980. Escrevo há muitos anos, hoje estou na área de construção civil, mas não abandonei esse prazer’’.
Em mais um esforço para provar a autoria do poema, Edson faz uma análise crítica contudente de Mude. ‘‘O poema não está no nível de Clarice Lispector. Quem conhece a obra dela, sabe que Clarice escreve melhor que isso. Mude me agrada pela mensagem que passa. Algumas frases são tocantes, gosto do tipo do jogo de palavras que o poema contém, mas a forma dele não é característica de Clarice Lispector. Biógrafos de já disseram que jamais Clarice escreveria isso, pois estaria abaixo, literariamente, do que ela produziu’’.
Trecho do poema:
Mude
Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade. Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa. Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho,ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa. Tome outros ônibus. Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Abrace a gostosura da surpresa.
Dê uma chance ao inesperado...
Leia também:» Festa literária em Parati
O original da entrevista pode ser lido no endereço digital da Tribuna, em:
http://atribunadigital.globo.com/bn_conteudo.asp?cod=206469&opr=75
by Edson Marques
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11:14 PM
20050703
Mude
by Edson Marques
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11:41 PM
20041223
Toda fidelidade tem que ser espontânea. Se for preciso um pingo de esforço para suportá-la, ela deixa de ser fidelidade e se transforma em martírio. Aliás, essa anacrônica e absurda fidelidade sexual forçada é uma invenção maldita: ela só permite o lado pobre, trivial e minúsculo do amor.
by Edson Marques
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4:52 PM
20040930
Eu quero que você morra!
by Edson Marques
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10:20 PM
20040518
Solidão a Mil...
by Edson Marques
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3:17 PM
20040108
Ouça e Dance o CD Filtro Solar
by Edson Marques
: /// :
7:08 PM
20031208
Como dizia Nietzsche:
"O trabalho é uma vergonha, pois é impossível que um homem ocupado no esforço de ganhar a vida se torne um verdadeiro ser humano!"
by Edson Marques
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10:49 AM
20031130
Mude
by Edson Marques
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6:24 PM
20031022
Este livro "Solidão a Mil" é meu testemunho pessoal.
Naturalmente...
by Edson Marques
: /// :
7:54 AM
20030823
Veja o filme "Mude" na versao original
by Edson Marques
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11:09 AM
20030725
Que sejam perdoados os erros de grafia.
Estou ainda em fase de revisão...
Leia abaixo um dos capítulos:
by Edson Marques
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6:18 PM
Eu sempre fujo das pessoas perigosamente normais. Por isso, toda noite, quando fecho os olhos para dormir e coloco meu cérebro no travesseiro de flores e estrelas, Deus acende seus belos refletores de vertigem sobre mim. Então, poeticamente, vejo no verso das pálpebras a última imagem do dia glorioso que acabei de viver. Acontece que, para dormir, tenho antes que acordar, em todos os sentidos. Portanto, não conto ovelhas — eu conto lobos. Mas nem sempre foi assim. Houve um período em que Deus me abandonou. Esqueceu-se de mim, cobriu-me de misérias e de dor. Quase morri. Mas nunca cheguei a rezar: não tive coragem de humilhar-me perante Ele. Rezar é rebaixar-se. E talvez por isso — por meu intenso orgulho de herói — é que Deus agora me respeita tanto.
Fico pensando no que acabei de dizer.
Quando você deixa de amar alguém — e continua com esse alguém — não é apenas esse amor que acaba morrendo: é tua propria capacidade de amar que apodrece.
Sou observador. Tem dias que vejo uma procissão de formigas em direção a um saco de lixo — e me lembro de vocês: trabalhando, cumprindo horários, correndo muito, seguindo regras tolas, mansos, ordeiros, pacatos, oprimidos em grupo, submetidos, uniformizados.
U-ni-for-mi-za-dos.
— E sendo “felizes”, cada um à sua maneira...
Passam-me até a impressão de que poem uma dose de fúria nessa busca cotidiana pelo nada. Agitam-se como em vias de alcançar o céu. No fundo, se esperneiam. Não olham para cima. Por isso, não sei mais se o que sinto por vocês é pena ou se desprezo.
Só nao creio que possam mudar de verdade — de verdade.
Parecem moscas sobrevoando um monte daquela coisa... De vez em quando se mexem, como coitados, mas se mexem pouco, timidamente. Nessa agitação aparente não querem turbulências nem riscos: meros movimentos de acomodação. Parece que estão por demais atolados nessa meleca gosmenta que chamam de vida, e de tal forma envolvidos com coisas tão rasteiras, tão vis, tão minúsculas, que só me resta dar-lhes logo um digno — e definitivo — adeus.
Doentes! Vocês têm nas mãos um produto chamado Vida — e não sabem o que fazer com ele. Então saem feito doidos querendo vendê-lo a todo custo, por qualquer preço nesse mercado vulgar em que se expoem. Bêbados de uma espécie selvagem de alcool, comem seu proprio futuro com voracidade de piranha faminta. Entao, nao devo mesmo ter do´ de vocês. Montaigne me diz para so´ sentir pena daquele doente que nao tem o remédio diante de si. E´compreensivel.
Pois tem gente que vive retardando o proprio sepultamento.
(a partir daqui os acentos ficaram loucos neste blog...)
As frases correm soltas na minha cabeça. “Se Jesus tivesse se casado, a Humanidade teria desperdiçado um Deus”. O sono vai chegando, eu misturo certas coisas, a cama se transforma numa floresta de lírios, o lençol bege de cetim me abraça. “É mais fácil não ceder nunca, do que ceder uma vez só”. Onde será que vou colocar essas frases todas? Anoto-as no caderno azul da memória, onde Lênin me diz, insistente: “se você pensa na Revolução, dorme com a Revolução, sonha com a Revolução, e acorda com a Revolução — um dia você vai conquistar a Revolução”. E se trocarmos a palavra revolução por qualquer outro objetivo — eu digo — o resultado será o mesmo.
Começar a escrever um livro me parecia sempre mais difícil que escrevê-lo todo. Mas, depois que li o Retrato do Artista, quando jovem, e vi como Joyce começou, criei coragem. Principalmente agora que da vida só temos o resto. “Memento mori” — sussurra-me Deus. Porque Ele sabe que tenho três grandes qualidades: escrevo bem, sou convencido, e não tenho medo de falar besteiras.
Então pergunto à engrenagem do meu espelho profundo:
— Será que existe um outro modo bom de se viver?
Fico pensando de novo, e acabo sonhando.
(Sonho tão alto que o próprio barulho dele me acorda.)
E j? me acordo perguntando se h? no mundo coisa melhor que ser feliz. Vejo estrelas no teto, repito a oração como se reza, me es-preguiço gaiarsa, felino, gostoso — sorrindo. Mas me levanto só depois que gargalho. Se n?o acho motivos para gargalhar, também não os acho para levantar. Enquanto isso, faço contas complicadas de cabeça, abraço a Vênus de Milo, calculo logaritmos a olho, traduzo algumas frases do latim, reconstruo mentalmente um ranchinho de sapé, imagino cúpulas geodésicas no quintal da nossa casa, visualizo Marlon Brando sem destino. Acordo já fazendo ginástica com meu cérebro, não quero teias de aranha nos neurônios. E sinapses, só as brilhantes me excitam. Potencializo-as com lógica e amor.
Toda emoção é produto do raciocínio. Depois explico isso.
Acordo e me levanto, deslumbrado e respirando, cheio de luz — iluminado portanto de novo — e de mim.
Meus dias começam assim: viro construtor de pirâmides!
“N?o sei o que dói mais...” — gosto de fazer comparações. Fico pensando e as palavras já nascem madrugantes na minha língua portuguesa. Faço analogias em silêncio. Invento coisas que ainda vão existir. Crio conceitos. E me questiono sobre qualquer assunto. Hoje, hoje não sei o que dói mais: se o eventual castigo por um desejo forte, puro, satisfeito — realizado alegremente — ou se esse mesmo desejo forte, contido, sufocado no peito, esmagando minha alma. O velho e bom dilema entre exercer a liberdade, ou viver na escravidão.
Acesse o "Mude" para ver mais detalhes...
by Edson Marques
: /// :
6:17 PM
20030527
Ver novo livro.
Solidao a Mil...
by Edson Marques
: /// :
4:03 PM
20030327
Viva a Liberdade.
Acesse www.EdmaLux.blogspot.com
by Edson Marques
: /// :
10:42 AM
20021113
Viver é um ato individual...
by Edson Marques
: /// :
3:48 PM
20021030
Quando meus vizinhos me vêem dançando, sozinho e pelado, com uma taça de vinho na mão esquerda, um livro aberto na mão direita, numa quarta-feira às três da tarde, ouvindo Vangelis -- eles devem ficar impressionados...
Mas não deveriam: é a vida!
by Edson Marques
: /// :
8:21 PM
20020924
"Quando um homem de verdade aparece, o mundo cai sobre ele e quebra-lhe a espinha. Só restam em pé pilares apodrecidos demais, Humanidade supurada demais para que o homem possa florescer. Basta que um homem se vista de maneira diferente dos seus concidadãos para ser motivo de desprezo e de ridículo. A única lei que é realmente cumprida é a lei da conformidade".
Henry Miller me disse essas coisas (e muitas outras) enquanto estávamos deitados lá fora, nesta madrugada, eu e ele, olhando estrelas e tomando vinho. Acho que ele ainda pensa em Anaïs...
by Edson Marques
: /// :
7:56 PM
20020820
Eu, minha melhor companhia -- em todos os Sentidos!
by Edson Marques
: /// :
7:36 PM
20020726
O cérebro às vezes mente.
O coração, jamais.
by Edson Marques
: /// :
5:05 PM
20020605
Contentamento em solitude — foi isso que eu sempre busquei.
E é isso que agora tenho.
by Edson Marques
: /// :
8:24 PM
20020601
Nas entrevistas quase sempre me perguntam:
— Por que é que você escreve?
Eu também me questiono sobre isso, mas por outras razões.
Nunca vi perguntarem a um músico "por que é que você compõe?", nem a um artista plástico: "por que é que você pinta?"
Mas quase sempre respondo:
— Escrevo porque gosto de contar histórias aos meus amores, e juntar palavras para dizer meu mundo!
by Edson Marques
: /// :
8:36 AM
20020516
Se ao teu lado eu não puder PENSAR EM VOZ ALTA — jamais te amarei.
by Edson Marques
: /// :
7:39 AM
20020430
Hoje vou passar o dia lendo Nietzsche.
by Edson Marques
: /// :
7:48 AM
20020426
— A cada 12 meses eu tiro férias.
— De trinta dias?
— Não: 365!
by Edson Marques
: /// :
8:58 AM
20020419
Muitas vezes — na internet, nos jornais, no rádio, na tv — vejo inúmeras publicações do meu poema "Mude". Nem eu esperava que fosse fazer tanto sucesso. Acontece que algumas vezes a autoria é equivocadamente atribuída a Clarice Lispector. Gosto da Clarice, e lamento muito que ela já tenha morrido há quase 25 anos. Gosto da Clarice, mas defendo também, respeitosamente, os Direitos Autorais. No caso, os meus!
Se puder, acesse alguns dos endereços abaixo, especialmente o da página
"oficial" da Clarice Lispector, onde se poderá desfazer o engano.
Veja também o filme do poema (3 min): Mude
Ou acesse alguns dos sites abaixo:
www.Vicosa.com.br
Inforum
NinaGimenez
Árvore do Bem
MayteWebSite
Sapo.pt
http://groups.yahoo.com
www.alemilani.com.br
www.saci.org.br
Paulo Angelim Consultoria
www.vozcentro.com.br
Netmarkt
ww5.digi.com.br/colunas
www.perplexo.com
Possibilidades
Veja quatro páginas do livro Solidão a Mil.
Abrace forte a gostosura da Surpresa...
Descubra novos horizontes.
Desperte as aventuras deliciosas que hoje talvez durmam no teu peito.
Se você não encontrar razões para ser livre — invente-as.
Seja criativo...
Mude
Só que está morto não muda!
by Edson Marques
: /// :
3:47 PM
20020414
Obedeço a Deus. Nunca faço nada contra Minha vontade.
by Edson Marques
: /// :
7:45 AM
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