Edson Marques

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Escreva-me... como se eu fosse um livro.
...................................... Ja estamos quase em 2008! E voce continua aqui, do mesmo jeito, andando pelas mesmas ruas, girando as mesmas chaves para abrir as mesmas portas? Sentado nas mesmas cadeiras, ao lado das mesmas mesas, fazendo sempre as mesmas coisas? Com os mesmos amigos, os mesmos amores, a mesma visao do mundo? Com os mesmos medos e preconceitos? Repetindo a mesma angustiante rotina? Onde foi parar aquele "projeto" de Vida? Onde esta a coragem de mudar, a coragem de criar? Onde aquele entusiasmo e aquela ousadia de outrora? Onde estao aqueles sonhos todos? ............

Edson Marques

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20050711
Entrevista concedida ao jornal A Tribuna - Santos - Edição de Quarta-Feira, 6 de Julho de 2005, 08:59 - página B5.


Flip, o palco para Edson Marques defender a autoria de ‘Mude’


Da Reportagem



O escritor Salman Rushdie e o lançamento mundial de seu novo livro Shalimar, O Equilibrista podem dividir as atenções na Festa Literária Internacional de Parati, com Edson Marques (foto), um autor que nem de longe tem a visibilidade e o sucesso do escritor anglo-indiano.


Tudo por conta de sua luta para ter reconhecido como seu o poema Mude, utilizado em 2001 na campanha publicitária dos 25 anos da Fiat no Brasil e creditado a Clarice Lispector, a grande homenageada da Flip. Edson pretende aproveitar a oportunidade de levar a sua luta ao conhecimento da mídia.


Antes, porém, ele já acionou juridicamente a Leo Burnett Publicidade, que criou a campanha para a Fiat, pelo equívoco no crédito do poema. ‘‘Resolvi mover o processo levando em conta primeiramente a má-fé da agência, que não resolveu o assunto quando a procurei. Não quero dinheiro, mas sim o reconhecimento de que o poema, largamente veiculado pela Internet, é meu. Eu inclusive o registrei na Fundação Biblioteca Nacional sob o número 294.507, livro: 534’’.


Edson diz que, mesmo tendo se comunicado com a agência para corrigir a falha, não obteve resposta. ‘‘O criador da Leo Burnett, Alexandre Scaff, disse que tinha mergulhado na obra de Clarice Lispector para encontrar esse texto, com o qual ilustrou o comercial’’.
Tentativas


O escritor, que mora há sete anos em Guarujá, continuou tentando, até conseguir falar com o advogado da Leo Burnett, Durval Pace. ‘‘Na primeira vez, ele disse que o poema era de Clarice e tinha como provar. Continuei mantendo contatos por telefone e e-mail, até que o advogado disse que iria ao Rio de Janeiro para trazer provas de que a obra era de Clarice. Só que não trouxe, porque não há provas, eu fiz o poema’’. Com 52 anos, Edson Marques diz que escreveu Mude antes dos 30 anos. Clarice morreu em 77. ‘‘O que mais me choca é que, na contestação à ação que movi contra a agência, pedi uma cópia da representação do contrato, mas não fui atendido. A empresa quer que eu trate disso com os herdeiros, particularmente com o filho de Clarice, Paulo Gurgel Valente’’.


Essa tem sido outra frustração de Edson. ‘‘Paulo não conversa comigo, não atende a meus telefonemas e não responde aos e-mails. Eu não quero mais falar com eles. Minha intenção é que a agência reconheça que o texto é meu’’.


A história teve outros desdobramentos. ‘‘Durval Pace me disse certa vez que, se o texto fosse assinado por Clarice, valeria R$ 150 mil (de direitos autorais), mas, assinado por Edson Marques, apenas R$ 10 mil. Era uma tentativa para ver se eu aceitava essa quantia. Mas minha luta não é uma questão de dinheiro’’.


Há pouco tempo, Edson ofereceu publicamente US$ 10 mil, no jornal Propaganda e Marketing e no programa Provocações, de Antônio Abujamra, na TV Cultura, a qualquer pessoa que apresentasse a obra de Clarice onde aparece esse poema’’.


A pendência continua e Edson aprofunda suas críticas e queixas. ‘‘Usando de má-fé impressionante, agora a Leo Burnett, através de seu advogado, fez uma contestação à minha ação cautelar, citando a obra A Descoberta do Mundo e dando a impressão de que o poema está nessa obra. Mas não está, como ficou provado com a publicação do livro’’.


Direitos autorais


Mude foi gravado no CD Filtro Solar, lançado pela Sony Music e produzido por Pedro Bial, com crédito para Edson Marques. ‘‘Recebo direitos autorais da Sony até agora por esse poema’’. Antônio Abujamra também já o declamou no programa da Cultura, e em sua peça Mephistópheles, atribuindo-o a Edson.


‘‘Não estou passeando na literatura. Sou fundador da Ordem dos Escritores, em 1980. Escrevo há muitos anos, hoje estou na área de construção civil, mas não abandonei esse prazer’’.


Em mais um esforço para provar a autoria do poema, Edson faz uma análise crítica contudente de Mude. ‘‘O poema não está no nível de Clarice Lispector. Quem conhece a obra dela, sabe que Clarice escreve melhor que isso. Mude me agrada pela mensagem que passa. Algumas frases são tocantes, gosto do tipo do jogo de palavras que o poema contém, mas a forma dele não é característica de Clarice Lispector. Biógrafos de já disseram que jamais Clarice escreveria isso, pois estaria abaixo, literariamente, do que ela produziu’’.

Trecho do poema:

Mude

Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade. Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa. Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho,ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa. Tome outros ônibus. Mude por uns tempos o estilo das roupas.

Abrace a gostosura da surpresa.

Dê uma chance ao inesperado...

Leia também:»
Festa literária em Parati

O original da entrevista pode ser lido no endereço digital da Tribuna, em:

http://atribunadigital.globo.com/bn_conteudo.asp?cod=206469&opr=75



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11:14 PM
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Mude

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